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Livro: Noites Brancas

Livro
 A experiência de ler uma obra de Fiódor Dostoiévski é indescritível. Acredito que cada leitor é despertado por sensações e emoções únicas, pois seus livros exigem dedicação, muita dedicação. 

Noites Brancas foi o primeiro livro que li de Dostoiévski, no entanto, para compreender a complexidade de suas obras precisei recorrer à modalidade dos livros narrados. Atualmente sou uma das maiores consumidoras de audiolivros, pela praticidade e por conseguir me conectar dentro das histórias com maior facilidade.

Noites Brancas foi escrito em 1848, pouco antes do escritor ir para a prisão na Sibéria e é considerada a obra mais significativa da primeira fase literária de Fiódor Dostoiévski. Narrado em primeira pessoa, o livro transporta o leitor para São Petersburgo, na Rússia. Conhecemos o Sonhador, um rapaz solitário que nos apresenta as famosas noites brancas (período do ano em que os dias são mais longos que as noites). Muito tímido, o Sonhador vai nos apresentando sua cidade enquanto faz passeios e imagina diálogos memoráveis com seres imagináveis. 

Em um desses passeios, o protagonista se depara com uma jovem mulher, muito triste, o destino então o coloca frente a frente com Nástienka. Um forte laço de amizade surge entre eles, logo um outro sentimento, intenso e profundo, ocupa o coração do Sonhador, porém, o passado da moça impede que a mesma corresponda esse amor. Mesmo assim, o protagonista nutre uma esperança dentre de si, de um dia conquistar o coração de Nástienka.

Em Noites Brancas, Dostoiévski escreve o amor na sua essência: real e utópico, belo e melancólico, revelando o que há de mais bonito no ser humano; a capacidade de amar incondicionalmente. 

Noites Brancas é uma história lindamente triste, com personagens profundos e inesquecíveis, é dessas histórias que arrebatam todos aqueles que acreditam na pureza do verdadeiro amor. O protagonista consegue comover o leitor com sua maneira singela de ver a vida. Terminei a leitura deste livro extremamente melancólica e eufórica ao mesmo tempo. Fiódor Dostoiévski é, sem dúvida, o maior escritor de todos os tempos que merece o lugar de destaque em toda estante.

Veja também:

O Pálido Olho Azul

 " O Pálido Olho Azul " é um filme de época com um mistério de assassinato eficiente que lembra em partes o maravilhoso " A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça " (1999), de Tim Burton . Embora seja menos sombrio que o filme de Burton, a história é mais realista e convincente. O elenco é formidável. Todos entregam excelentes performances, especialmente Christian Bale que entrega uma grande atuação, digna de Oscar . A melancolia de seu personagem transmuta além da tela. Harry Melling também está ótimo como o sombrio cadete Edgar Allan Poe . O uso de um personagem real para ajudar a solucionar um crime ficcional deixa o enredo ainda mais instigante. Lembrando que é apenas uma história fictícia, não há registros que Edgar Allan Poe tenha ajudado a solucionar crimes. Outros personagens reais no filme são os generais Ethan Allen Hitchcock (Simon McBurney) e Sylvanus Thayer (Timothy Spall) que fizeram parte da Academia Militar dos Estados Unidos . O filme tem uma fotografia i...

Namorados Para Sempre

 " Namorados Para Sempre " é um drama romântico que busca passar o máximo de realismo possível. O título nacional é equivocado, pois o filme não é sobre um casal que vive em harmonia, mas sobre a dificuldade de permanecer em um relacionamento quando o amor acaba, ou nunca existiu. Está longe de ser uma comédia romântica açucarada, é um filme denso, melancólico e deprimente. Desde o início do filme é perceptível que Cindy e Dean são duas pessoas carentes, eles buscam suprir suas carências em outra pessoa, algo que realmente nunca dará certo no cinema, muito menos na vida real. O desgaste do relacionamento deste casal não ocorre de forma abrupta, vai acontecendo aos poucos devido a rotina, a falta de diálogos, o excesso e a escassez de afeto. Enquanto assistimos os flashbacks constatamos o óbvio, Cindy ( Michelle Williams ) e Dean ( Ryan Gosling ) tinham todos os tipos de sentimentos um pelo outro, menos amor. Não há nenhuma tragédia, o desfecho ao meu ver é esperançoso, mas ...

12 Homens e uma Sentença

 " 12 Homens e uma Sentença " é muito mais que um filme de tribunal, é uma obra-prima que retrata com maestria as relações interpessoais e as dificuldades de comunicação entre as pessoas. Conforme a história se desenvolve, os conflitos vão surgido, as máscaras vão caindo e as falhas de caráter vão se revelando. Em certo momento alguém pronuncia a frase: " Eu não sei realmente o que é a verdade. E suponho que ninguém jamais saberá .", isso deixa claro o quão difícil é a tarefa de um jurado: inocentar ou acusar - neste caso específico é mandar o réu direto para a cadeira elétrica .  Não há dúvida que " 12 Homens e uma Sentença " é um dos maiores e melhores filmes de todos os tempos. Um clássico inesquecível do cineasta Sidney Lumet que dirige brilhantemente seu filme. O sucesso da obra também se deve ao elenco excepcional, tanto a interpretação individual quanto a coletiva merecem todos os aplausos. Os diálogos inteligentes evitam que a narrativa se torn...