A Espuma dos Dias provoca um estranhamento inicial no espectador mais desavisado, porque as referências ao surrealismo são gritantes. Dividido em duas partes, a primeira é cheia de cores, tudo alegre e esplendoroso, onírico como um sonho, já a segunda parte é trágica, saímos das cores vibrantes e adentramos em um mundo composto por tons de cinza, que apesar de lindo, é sombrio.
O filme tenta transmitir de maneira singela, uma mensagem sobre o aceitamento diante da morte e o medo da vida perder seu brilho quando uma pessoa querida se vai ou se prepara para ir. Acredito que conseguiu realizar seu feito, narrando de uma maneira fantástica a incapacidade que temos de sustentar a motivação quando a vida prepara suas peripécias proporcionadas.
Nada mais é que a história de uma tragédia anunciada. Desde o início da trama sabemos que Chloé está condenada e o que vamos ver é sua morte chegando lentamente. Entretanto, o que mais surpreende nesta obra é que não vemos apenas a morte da personagem, mas a decomposição de tudo a sua volta, um lindo sonho que vai aos poucos se transformando em um terrível pesadelo.
Embora não seja uma obra-prima do cinema, é um filme muito bonito visualmente que encanta e assusta ao mesmo tempo. Não é daqueles filmes que nos deixam devastados emocionalmente, mas instiga a pensar sobre os acasos que a vida teima em nos oferecer. Para conhecer o filme acesse o IMDb
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| Audrey Tautou e Romain Duris |
